Arquivo | março 2015

O DESAPEGO NOS RELACIONAMENTOS

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PramaShanti
23 DE MARÇO DE 2015

Muitos interesses atuam no sentido de deturpar os conceitos que podem levar o homem ao caminho verdadeiro e a sua completa liberdade, e o desapego também não escapou disto.

O desapego nos relacionamentos vem sendo banalizado e divulgado como simples sexo livre.

Desapego não é falta de interesse nem falta de amor, mas apenas independência.

Imagine que você ganhe um carro maravilhoso, confortável e com tudo que poderia imaginar. Certamente terá muito prazer em dirigi-lo. Não há nenhum problema nisto, estamos aqui para ser felizes.

Mas se depois desfazer-se deste carro se tornar um problema, significa que você passou a depender dele. Aquele prazer que antes você não conhecia e não lhe fazia falta agora se tornou essencial para você. Você ficou viciado naquele prazer, apegou-se e depende dele. Esta é a fonte de todo o sofrimento. Você pode usar, mas não precisa ter, deve se manter livre e independente, ou todo prazer vai reverter em sofrimento.

Todo apego gera sofrimento.

No amor e nos relacionamentos pessoais vale a mesma regra. Você só estará pronto para amar verdadeiramente quando estiver bem sozinho, quando se bastar e não depender dos outros. Deve ser muito bom estar com a pessoa que ama, mas também deve ser muito bom estar sem ela. Seu amor não pode ser uma muleta.

“Quem não é um bom impar, jamais será um bom par.”

Você também precisa entender que tudo que faz é por si mesmo, e não pelos outros, não deve esperar contrapartida.

Se quiseres preparar um café da manhã para a pessoa que ama, e surpreendê-la, faça-o e mergulhe todo seu ser nesta tarefa, absorva o prazer de cada instante, de cada detalhe da preparação. Entregue ao seu amor e curta cada detalhe, cada expressão do seu rosto, absorva aquilo e sinta todo o prazer que você merece. Depois, sinta-se satisfeito, compreenda que foi bom para você e que o outro não precisa retribuir. Não espere que lhe façam o café da manhã no dia seguinte. Se você não quiser repetir mais isso, não repita, mas também não cobre nada do seu amor. Você simplesmente fez o que queria e lhe deu prazer. Isto basta, acabou, não espera nada em troca. Você fez porque quis e foi bom para você ! Só isso ! Acabou !

Este é o amor incondicional, que não espera nada em troca, que não se apega porque respeita a liberdade do outro. Que ama a essência do outro e todas as suas formas de manifestação. Onde suprimir uma destas formas de manifestação é macular este amor, é destruir o que você ama.

Amar verdadeiramente é amar o outro em liberdade e não em uma gaiola.

Os que não entendem estes conceitos vão confundir isto com falta de interesse, porque só sabem viver no apego. Se apegam e se viciam em tudo que gostam e não conseguem entender como alguém pode gostar e não sofrer com uma perda.

Você deve amar ao outro como ser livre, sem posse e sem dependência. A sensação de posse vem da sua dependência, do medo de perder. Você não é livre porque depende e quer tirar a liberdade do outro para não perdê-lo.

Dependência não é amor, quem depende apenas usufrui. É apenas um vampiro. E dois vampiros formam apenas uma simbiose, mas nunca serão dois amantes.

“Dê a quem você ama: asas para voar, raízes para voltar e motivos para ficar.”
Dalai Lama

Não há nada mais belo do que dois seres livres permanecerem juntos ligados pelo amor incondicional. Este é o verdadeiro amor, fiel pela sua natureza, que é a própria liberdade.

através de Prama Shanti

NÃO TENHA MEDO DOS DEMÔNIOS QUE HABITAM VOCÊ!

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PUBLICADO EM RECORTES POR PRESCILA RIZZARDI

Depois de muito tempo tentando dar nome a uma tristeza contínua finalmente o ato de ir atrás de ajuda, foi o primeiro passo para a cura. É comum as pessoas associarem tristeza a depressão, deixo claro que é normal estar triste, todos temos esse direito, porém quando essa tristeza se perpetua por anos a fio, fica claro que algo está errado então, sim eu tenho depressão crônica.

Escrevo esse texto com o intuito de estimular mais pessoas a procurarem ajuda, por que esse estado faz mal não só a você como a todos que te cercam. Hoje depois de iniciar meu tratamento vejo o quanto me fiz mal, me isolando, fingindo estar bem comigo mesma, mascarando com outras síndromes o que até não sabia nomear, passei por diversas síndromes de consumidora compulsiva, buscando um prazer imediato ao comprar ou virando uma obsessiva pelo trabalho, tudo isso era uma forma de desviar o foco para o problema real… Incrível o fato de às vezes ser necessário um diagnóstico profissional para se tomar consciência de algo que te assola há anos, se por um acaso você está lendo esse texto e notar alguma semelhança, espero sinceramente que lhe ajude a tomar a decisão de procurar uma cura. Antes de iniciar a história do fato que culminou na minha procura por ajuda profissional, preciso voltar anos atrás, diferente de uma depressão comum, uma depressão crônica é algo que se perpetua por anos, não existe um fato culminante, ela simplesmente sempre esteve lá.

Nunca fui o tipo de criança que buscava interação social, sempre procurei um isolamento, como forma de proteção, na adolescência as pessoas só eram permitidas ir até certo ponto, e assim continuou na vida adulta, até que essa tristeza sem fim, esse abatimento constante, essa aparente falta de vontade, nada mais era que uma doença que estava tendo seus sintomas agravados, tiveram sim responsáveis por esse agravamento, problemas de saúde com familiares, insatisfação no trabalho, amizades desfeitas, e afins… Até que a depressão ganhou força e veio destruindo tudo pela frente.

Sempre achei incômoda as perguntas as quais me faziam como “por que você não se anima com nada?”, “quando sorri parece que não tem vontade”, como se fizesse por obrigação, porém nenhuma das pessoas que apontavam a minha apatia jamais tentou ajudar, saber qual o motivo real, não as culpo, porém julgar sempre é mais fácil que dar a mão quando mais se precisa, não é todo ser humano que é capaz de fazer isso.

Mas depois de algumas crises, instabilidade de humor e total confusão mental chega o ponto onde tudo desmorona e foi aí que minha cura começou, quando aceitei que tinha um problema e fui atrás de ajuda, dar nome ao que se tem é de crucial importância, não tenho vergonha e nem vou esconder minha doença de ninguém, não preciso ser forte o tempo todo, isso foi uma das lições que a minha tão querida e importante psicóloga me passou. Meu tratamento está apenas no começo, porém só o fato de começar a fazer as mudanças necessárias já me deixa melhor.

Estou quebrando minha rotina, saindo da zona de conforto ou zona segura como costumo pensar, fazendo pequenas viagens as quais sempre tive vontade de fazer, porém a apatia nunca me deixava ir além, praticando um novo exercício pelo menos 3 vêzes por semana, afinal se você não sabe quem possui depressão crônica tem uma séria deficiência de serotonina e como vem em baixa produção a anos, alguma medicação para repor e muitas atividades que estimulem a produção da mesma são essenciais para a tão esperada cura. É só o começo dessa caminhada de alguns meses, mas posso dizem que já sinto melhoras, finalmente estou entendendo e aceitando meus pensamentos, é como uma reprogramação, esse texto só tem o intuito de dar a você leitor a chance de também se reconhecer através das minhas experiências e ir procurar ajuda.

“Não tenha medo de enfrentar os demônios que habitam o seu interior, a única forma de superar é encarando o problema de frente.”

SAINDO DA MALHA DA ILUSÃO DE AMOR COM O PREDADOR EMOCIONAL

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Uma das coisas que mais confundem as vítimas de predadores emocionais é que a vivência com eles, logo de início, sempre é altamente satisfatória em todos os níveis que se possa imaginar.

O problema começa quando o mau humor e as desqualificações, por parte do parceiro, gradativamente começam a se infiltrar na relação. A partir daí, o que antes era bom, drasticamente começa a ficar péssimo. São situações inusitadas que literalmente costumam tirar o chão das vítimas, como se algo fosse rasgando e sangrando profundamente no coração, dia após dia…
E o pior, o que inúmeras vezes ouvi de pacientes, ainda quando não estavam totalmente esclarecidas, é que se antes era tão bom e se os parceiros repentinamente mudaram, certamente seria porque elas deviam ter feito algo de muito ruim, a ponto dos mesmos ficarem tão irritados.

Ainda complementando a visão distorcida e dramática da situação, “entendiam” que os parceiros no fundo deveriam ser pessoas maravilhosas, pois após elas se submeterem a eles, mesmo que as questões que os tiraram do sério não fizessem sentido algum, eles ficavam novamente carinhosos e “legais”! Mas só até o próximo ataque, num novo momento de ira, por terem feito algo supostamente errado que de novo os tirarão do sério…
Infelizmente, a essa altura já se encontrarão presas numa teia em que o principal prato é a falência perceptiva. Um processo violento de perda de si mesmas, de perda de identidade, portanto, de suas almas.

No decorrer do tratamento terapêutico, mesmo após o rompimento afetivo, muitas percebem que apenas através do não contato total é que conseguirão a recuperação completa de suas energias, autoestima e resgate de si mesmas. Para estas, toda forma de contato deve ser altamente bloqueada e, acreditem ou não, até em pensamento… vai requerer imunização. Interferências dessa ordem também são a porta aberta de acesso predatório.
Se acaso pensarem ou se lembrarem de qualquer coisa que tenha alguma relação ou sentirem algum tipo de mal-estar, a dica é se protegerem mudando de assunto interno. Criarem ou se lembrarem de algo muito bom, permanecendo mentalmente nisso, ou seja, em seus projetos criativos de vida.

No mundo exterior, de imediato, é preciso fazer algo que promova prazer.
E pensar no passado, nas coisas boas, para não decaírem e continuarem no processo de ficar super bem; imediatamente, ativem as lembranças das mentiras e das “sacanagens”!
Pensem e dinamizem aquela vida legal e saudável que todos nós merecemos.
Lembre-se de que a porta sempre esteve aberta; tratava-se só de inserção de medo e de trapaça emocional e que destas você já se libertou para sempre!
Para exatamente nunca mais entrar em estórias deste tipo.

Obs.: Fica declarado que, embora este artigo tenha sido escrito na versão feminina, que homens são igualmente passíveis de caírem em roubadas emocionais e predatórias desta ordem.

por Silvia Malamud
Email: malamud.silvia@gmail.com