AUTOESTIMA DAS CRIANÇAS

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por Carla Poppa, psicóloga

Alguns cuidados que ajudam a promover a autoestima das crianças!
 
Uma criança com autoestima é capaz de aceitar e gostar das características que reconhece em si mesma. Essa é uma sensação que a acompanha nas suas experiências e a ajuda a se relacionar com as pessoas ao seu redor em uma posição de igualdade, de onde é possível agir com espontaneidade. A autoestima, então, preserva a espontaneidade da criança, o que permite que ela cresça capaz de fazer boas escolhas e de se expressar de maneira singular sem receio de não ser aceita ou de não estar à altura das outras pessoas. Por isso, é tão importante que os pais possam promover a autoestima dos seus filhos, já que é por esse caminho que as crianças podem continuar crescendo e se desenvolvendo.
 
Muitos pais sabem e entendem que a autoestima da criança é promovida quando ela se sente aceita e amada na relação com eles e com as outras pessoas que fazem parte do seu convívio. Esse cuidado permite que aos poucos a criança possa assimilar essa sensação. No entanto, no dia a dia, nem sempre é tão fácil expressar o amor que se sente pelo filho de modo que ele se sinta aceito da maneira como é e goste do que percebe em si mesmo. Isso porque, muitas vezes, algumas crenças ou até mesmo valores dos pais podem interferir na possibilidade da criança reconhecer e usufruir do amor que lhe é dedicado e desenvolver suas habilidades para que se sinta capaz e orgulhosa das suas conquistas.
 
Por exemplo, mesmo que os pais não tenham dúvidas a respeito do amor que sentem pelos seus filhos, quando são guiados por crenças como: a criança precisa obedecer sem questionar, ou uma criança educada não sente raiva, é possível que sintam a necessidade de impor castigos muito severos ou que apresentem reações muito intensas diante dos conflitos do dia a dia, como gritos ou até mesmo o desprezo pela criança quando ela age de uma maneira que não corresponde com as suas crenças. Esse contexto pode levar a criança a viver a experiência do amor condicional, o que significa que ela sente e passa a acreditar que dependendo da maneira como se comportar, corre o risco de perder o amor dos seus pais. Ou seja, as crenças dos pais nesses casos, podem obstruir a troca de afeto e amor tão essencial para a promoção da autoestima da criança.
 
Outro exemplo bastante comum de uma crença que pode prejudicar a promoção da autoestima da criança é a ideia de que uma boa mãe é aquela que está sempre disponível para atender prontamente o que a criança precisa. Muitas mães e pais expressam essa crença e agem o mais rápido possível sempre que solicitados pelos seus filhos para não se sentirem culpados. É comum também observar essa crença nas avós que ficam responsáveis pelos cuidados da criança quando os pais estão trabalhando.  Nesses casos, é importante reconhecer que durante os primeiros meses de vida, o bebê precisa mesmo ser atendido sempre que expressa uma necessidade. No entanto, conforme ele se desenvolve e começa a ser capaz de entender o que está acontecendo ao seu redor e tem novas habilidades que inclusive, lhe permitem buscar o que precisa por conta própria, esse senso de urgência da mãe, do pai, ou dos avós não só perde o sentido como passa a privar o bebê e a criança de desenvolver e treinar suas habilidades. Por isso, a crença de que cuidar bem significa estar sempre presente e disponível pode dificultar e atrasar o desenvolvimento das habilidades da criança, desde a fala até a capacidade de correr, pular, ou mesmo a capacidade de cuidar de si mesma que é sustentada por habilidades como conseguir vestir a própria roupa e amarrar o sapato, por exemplo. É nesse sentido que se costuma afirmar que superproteção também pode prejudicar a autoestima da criança, já que a criança que não encontra espaço para desenvolver suas habilidades, não pode se sentir satisfeita com as suas conquistas.
 
Quando os pais se dão conta das crenças e comportamentos que reproduzem muitas vezes sem perceber e conseguem ficar mais abertos e menos críticos em relação ao jeito de ser da criança, eles podem usufruir melhor da companhia do seu filho. A criança, por sua vez, recebe o afeto dos seus pais sem interferência desses censores que muitos pais carregam dentro de si. A possibilidade de a criança agir de maneira espontânea e se divertir na companhia dos seus pais ou das pessoas ao seu redor proporciona a ela a experiência de se sentir aceita do jeito que é. Além disso, quando encontra espaço para desenvolver suas habilidades e estas podem ser reconhecidas e confirmadas pelas pessoas ao seu redor, a criança não só percebe que pode aceitar quem ela é como também começa a gostar do que percebe em si mesma.
 
Por isso, vale a pena parar para refletir se existem valores ou crenças que não apresentam um sentido pessoal e que são reproduzidos de maneira automática na relação com seu filho. Se for o caso, é importante trocar experiências com outras pessoas e buscar novas referências para que essas crenças não interfiram no desenvolvimento da autoestima do seu filho!

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